Índices de Liquidez: entenda em 5 minutos o que isso diz da sua empresa

Calcular o valor de uma empresa não é fácil. Afinal, significa pegar fatores majoritariamente subjetivos e tentar transpor para um número. Parte desse processo envolve entender os Índices de Liquidez do negócio.

Mas… o que são os Índices de Liquidez? O que é um Índice de Liquidez Geral? O que essas métricas dizem sobre o seu negócio?

Se você quer vender a sua empresa ou pretende comprar uma, precisa compreender essas informações.

Afinal, o resultado de um índice de liquidez pode mudar a sua decisão de compra/venda em pouco tempo.

Quer dominar o assunto em menos de 5 minutos? Então siga a leitura deste conteúdo até o fim com bastante atenção!

O que são Índices de Liquidez?

Os Índices de Liquidez são métricas que traduzem a capacidade de uma empresa de fazer o pagamento das suas obrigações e dívidas. Nesse caso, quanto maior o resultado dessa métrica, melhor é a saúde financeira da empresa.

Vamos entender da seguinte forma. Suponha que o seu negócio fature R$3 milhões por ano e gasta simplificadamente R$500 mil para se manter e mais R$700 mil de custos para produzir os seus produtos.

Ou seja: de custos, a sua empresa tem aproximadamente R$1,2 milhão. Sobram, portanto, R$1,8 milhão. Obviamente, tudo isso é um exemplo simplificado.

Agora, imagine que o seu negócio pega um empréstimo para crescer e precisa pagar R$500 mil por ano de juros, amortizações e outras despesas monetárias. 

Na sua opinião, seria fácil pagar essa dívida? Possivelmente: se sobra R$1,8 milhão por ano e você precisa pagar mais de R$500 mil, então, em tese, há bastante espaço de manobra.

É mais ou menos isso que os Índices de Liquidez tentam mostrar. Por isso, quanto maior for o valor da métrica, maior é a capacidade da empresa de adquirir crédito e conseguir pagar.

Como ler os Índices de Liquidez?

Para avaliar uma empresa em relação aos seus Índices de Liquidez, devemos levar em consideração a seguinte classificação métrica:

  • Se o Índice de Liquidez for maior do que 1 = então o negócio tem bastante folga para cumprir seus compromissos financeiros;
  • Quando o Índice de Liquidez for igual a 1 = então os valores que o negócio tem à disposição “empatam” com as contas para pagar;
  • Se o Índice de Liquidez for menor do que 1 = a empresa não teria recursos suficientes para pagar suas dívidas no curto prazo.

Isso significa que um índice de liquidez maior do que 1 é ótimo e que uma empresa com menor do que 1 está em complicações financeiras? Não exatamente.

Depende tudo do contexto da empresa, do contexto das dívidas e, claro, do potencial do negócio de melhorar suas margens.

Por exemplo, uma empresa que tem toda essa margem para cumprir compromissos financeiros, está em um bom nível, claro. Mas poderia se endividar mais para gerar crescimento. Ou seja, poderia pegar empréstimos para investir em novos produtos, novas máquinas, novas ferramentas para crescer.

De certa forma, é como se a empresa estivesse com o freio de mão puxado. É claro que existem problemas piores, mas não deixa de ser um cenário que está reduzindo seu crescimento.

Já um Índice de Liquidez Geral menor do que 1 parece uma má notícia. Afinal, a empresa não teria recursos para pagar a execução da sua dívida no curto prazo. Mas se a dívida for no longo prazo, ela não precisará passar por essa situação.

Além disso, se a dívida foi bem planejada, ou seja, obtida para reverter em ações que vão gerar crescimento e melhores margens, então a tendência é que a empresa tenha mais faturamento no médio e longo prazo, melhorando sua situação.

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Em resumo

Resumindo a questão: devemos entender os Índices de Liquidez como indicadores e não “donos da razão”. Eles indicam uma situação, mas devem ser lidos com todo o contexto da empresa.

Se você busca um negócio para comprar, talvez um Índice de Liquidez Geral maior do que 1 seja uma boa notícia por demonstrar que há bastante potencial de crescimento ali — que talvez o dono atual da empresa não veja.

Ao mesmo tempo, não é porque o índice da empresa é menor do que 1 que você deverá abandonar o barco e desistir de comprar o negócio. Talvez, ao entender a operação de dívida, você compreenda os resultados que vão surgir e veja que o negócio ainda vai se valorizar muito.

Afinal, em alguns casos, comprar empresa com dívida vale a pena (e muito!).

Índice de Liquidez Geral — o que é e quais os outros tipos de índices?

Existem diferentes tipos de Índices de Liquidez. A seguir, vamos explicar superficialmente quais existem e como eles funcionam, além de fazer notar os seus principais diferenciais.

Índice de Liquidez Geral

O Índice de Liquidez Geral leva em consideração a situação de endividamento de um negócio no longo prazo. Por isso, inclui na conta os direitos e obrigações que ainda levarão muito tempo para serem realizados. 

Para quem vai avaliar uma empresa para comprar ou vender, é uma informação importante. Afinal, mostra o quanto do faturamento projetado do negócio para o longo prazo já está comprometido. Isso permite calcular melhor a projeção de lucro do investimento na aquisição da empresa.

Sua fórmula é:

Liquidez Geral = (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo) / (Passivo Circulante + Passivo Não Circulante)

Índice de Liquidez Seca

Essa métrica tira do cálculo da liquidez da empresa todos os estoques do negócio. A lógica é que os estoques não contam com liquidez compatível com o grupo patrimonial em que estão inseridos. Ou seja: não é tão fácil vender os estoques para transformá-los em dinheiro e, portanto, não devemos contá-los como recursos para quitar despesas monetárias.

Basicamente, devemos ter atenção ao Índice de Liquidez Seca para saber, na prática, quanto de dinheiro circulante o negócio tem para quitar seu endividamento.

Sua fórmula é:

Liquidez Seca = (Ativo Circulante – Estoques) / Passivo Circulante

Liquidez Corrente

O Índice de Liquidez Corrente é o índice mais básico de todos. Basicamente, ele pega todos os ativos circulantes do negócio (incluindo os estoques) e subtrai desse montante todos os passivos circulantes. A lógica é entender uma visão geral e ampla do endividamento do negócio.

Sua fórmula é:

Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante

Liquidez Imediata

Por fim, este é o índice de liquidez mais conservador e pega o “pior caso possível”. O que ele mede é todo o dinheiro que a empresa tem em mãos agora: caixa, saldos, aplicações financeiras, etc., e vê se é o suficiente para quitar as obrigações.

De certa forma, é uma maneira de medir a capacidade do negócio de quitar suas obrigações no curto-prazo. Se você comprasse a empresa HOJE: poderia pagar as dívidas ou teria que depender do faturamento futuro para isso?

Sua fórmula é:

Liquidez Imediata = Disponível / Passivo Circulante

O que a liquidez tem a ver com valuation?

Para concluir o nosso papo (nossos 5 minutos estão quase acabando!), precisamos explicar que considerar os índices de liquidez de uma empresa tem absolutamente tudo a ver com business valuation.

O valor de um negócio depende, essencialmente, da sua capacidade de gerar valor. Ou seja, de gerar recursos.

Essa capacidade é altamente influenciada pela saúde financeira do negócio. Uma empresa que está perdendo dinheiro todos os meses terá, em geral, um valuation pior do que quem está ganhando dinheiro todos os meses.

É por isso que é vital entender a liquidez de um negócio para saber se você vai comprar um “Barco furado” (lembre-se de 60% das empresas fecha as portas em 5 anos especialmente por causa das dívidas) ou se está comprando um barco com motor potente, mas que está andando devagar agora.

Já se você quer vender sua empresa, entender os índices de liquidez podem ajudar a gerar argumentos em favor do seu negócio. Mostrar como a sua empresa está com a casa em ordem (e como há amplo espaço para novos investimentos) valoriza seu negócio e torna mais fácil de vendê-lo.

E aí, viu como foi fácil compreender o que é Índice de Liquidez Geral e os outros índices de liquidez? Agora que você já sabe a importância dessas métricas no valuation de um negócio, é hora de dar o próximo passo.

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