Um divórcio já mexe com tudo: rotina, emocional, família e planos. Quando existe uma empresa no meio do casal, entra mais um ingrediente que costuma inflamar o conflito: a disputa pelo valor ou valuation da empresa.
E aqui está o ponto que quase ninguém percebe cedo o suficiente: muita gente perde dinheiro não porque a empresa valia pouco ou muito, mas porque a briga sobre quanto ela vale vira o centro do divórcio. Nesse momento, o valuation deixa de ser um caminho para o acordo e passa a ser usado como arma.
O risco não é só financeiro. Uma separação mal conduzida pode travar decisões, afastar clientes, desorganizar o time e drenar caixa, como se a empresa estivesse enfrentando uma crise operacional no pior timing possível.
Enquanto isso, cada lado enxerga um negócio diferente: quem administra costuma ver risco e pressão diária (acha que a empresa vale menos), quem está fora tende a ver potencial e padrão de vida (acha que a empresa pode valer mais).
Sem um método técnico e premissas claras, essa diferença vira disputa interminável.
Neste artigo, você vai entender por que isso acontece, quais são os dois caminhos mais comuns para avaliar a empresa no divórcio (judicial e extrajudicial) e como uma abordagem bem estruturada pode reduzir atrito, custo e desgaste, preservando o que foi construído.
Por que o valuation fica mais difícil quando a emoção entra na mesa
Divórcio mexe com identidade, confiança, status e medo do futuro. E quando essas emoções entram em negociações patrimoniais, a tendência é a conversa perder racionalidade rapidamente.
O psicólogo Daniel Kahneman descreve um fenômeno recorrente em conflitos: perdas doem mais do que ganhos. Isso muda o jeito que a gente negocia, cede e define o que seria “justo”. Em separações com empresa, esse efeito costuma amplificar:
- desconfiança sobre números
- interpretações opostas do mesmo fato
- decisões defensivas que atrapalham o acordo
- e retaliações em muitos casos
Duas percepções opostas sobre o mesmo negócio
Na prática, é comum ver um “choque de narrativas”:
- Quem administra a empresa tende a enxergar riscos, problemas operacionais, pressão de caixa e incertezas.
- Quem está fora tende a enxergar o padrão de vida, o “potencial” e sinais de prosperidade. Quem está fora muitas vezes acha que quem fica com a empresa fica com uma “mina de ouro” nas mãos.
Enquanto isso, a operação continua. Clientes cobram entrega. Funcionários esperam direção. E os boletos seguem chegando.
Contador ajuda, mas valuation é outra disciplina
Muitos empresários chamam o contador para “avaliar a empresa”. O contador é peça-chave, mas valuation exige é uma disciplina totalmente diferente: normalizar resultados, separar despesas pessoais, ajustar pró-labore e retiradas, lidar com distorções típicas de PMEs e, principalmente, olhar para frente: risco, inflação, incorporar chances da empresa fechar, cenário econômico, projeções e sensibilidade.
Quando existe chance de acordo, uma estrutura que costuma funcionar bem é o “trio de elite”: advogado, contador e especialista em valuation. Com coordenação entre os três, o atrito cai e a chance de acordo sobe.
Dois caminhos: valuation judicial e valuation extrajudicial
A diferença entre os dois caminhos costuma ser enorme.
Valuation judicial: por que tende a ser caro, lento e frágil
Quando a avaliação vai para o Judiciário, o caminho mais comum é cair em critérios patrimoniais e contábeis, como o balanço de determinação (ou balanço especial). Em discussões judiciais ligadas à apuração de haveres, quando o contrato social é omisso, a tendência é o processo ser conduzido por critérios patrimoniais.
O que a lei costuma puxar quando o contrato é omisso
O art. 1.031 do Código Civil trata da apuração com base na situação patrimonial na data da resolução, verificada em balanço especialmente levantado.
O art. 606 do CPC também aparece com frequência nessas discussões ao tratar do critério de apuração de haveres quando não há definição contratual.
Isso não significa que esse caminho seja o melhor para chegar a um valor econômico que faça sentido em uma negociação “normal” de compra e venda de empresas.
Brasil na contramão: lá fora o foco é valor econômico, aqui ainda cai no contábil
Em países desenvolvidos, como os EUA, a avaliação de empresas em divórcios costuma priorizar valor econômico ou intrínseco, usando métodos como o fluxo de caixa descontado, porque elas analisam capacidade de gerar resultados e caixa, não apenas números contábeis.
No Brasil, quando a discussão vai para o Judiciário e o contrato social não define critérios econômicos, é comum a apuração seguir uma lógica patrimonial/contábil, com base em balanço especialmente levantado, o que abre espaço para o balanço de determinação.
O resultado é que, em muitos casos, o país acaba ficando na contramão: aqui a briga tende a virar conta contábil (o que é péssimo em muitos casos), enquanto lá fora a discussão costuma girar em torno de risco, crescimento e geração real de valor.
Valuation extrajudicial: quando existe acordo, dá para escolher o método certo
A grande vantagem do caminho amigável é que ele permite escolher metodologia e deixar premissas claras. E é aqui que, na maioria dos casos, o Fluxo de Caixa Descontado (FCD) faz diferença.
Com o FCD, você consegue:
- considerar inflação e cenário macro
- criar cenários (ruim, base e bom)
- refletir risco, crescimento e sustentabilidade
- levar em consideração particularidades da empresa
- discutir premissas em vez de transformar tudo em briga pessoal
No fim, o objetivo não é só dividir bens. É permitir que cada um siga em frente sem destruir um legado profissional e familiar no processo.
Como podemos ajudar
Se você está passando por um divórcio com empresa envolvida e quer uma análise técnica, com premissas claras e foco em viabilizar acordo, a Valutech pode ajudar com uma proposta sem compromisso. O objetivo é reduzir atrito, dar previsibilidade ao processo e preservar o negócio.
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Assista ao vídeo completo: Valuation e divórcio
Se você quer entender, com exemplos e mais profundidade, como evitar discussões desgastantes e buscar um valor justo para ambos sem colocar a empresa em risco, assista ao vídeo completo baseado neste conteúdo. Nele, explicamos a lógica por trás do conflito, por que o caminho judicial costuma piorar a situação e como um valuation bem conduzido pode ajudar a construir um acordo melhor.

Cofundador Valutech, especialista em valuation e entusiasta em programação.
Certificado em Advanced Valuation (ministrado por Aswath Damodaran) pela New York University (NYU), Certificado em Valuation (Avaliação de Empresas) e Análise de Investimentos pela PUCRS, Certificado em International Business e Business Administration pela Universidade da Califórnia, Irvine (UCI) e Bacharel em Administração de Empresas (Linha de Formação em Tecnologia da Informação), PUCRS.